4º Bonito CineSur (2026)
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Bruno Gagliasso e Aurélio Michiles falam sobre “Honestino” em pré-estreia no Bonito CineSur

Pré-estreia foi antecedida por homenagem póstuma ao cineasta argentino Luis Puenzo, em um sábado marcado pela memória

Data: 26/07/2026

Bruno Gagliasso e Aurélio Michiles falam sobre "Honestino" em pré-estreia no Bonito CineSur

A segunda noite da 4ª edição do Bonito CineSur – Festival de Cinema Sul-Americano foi marcada pela pré-estreia de “Honestino”, dirigido por Aurélio Michiles. Ao lado do protagonista Bruno Gagliasso, o cineasta compareceu ao Centro de Convenções da cidade de Bonito no último sábado (25) para apresentar ao público o documentário que narra a história do desaparecimento de Honestino Guimarães, líder estudantil, ex-presidente da UNE e aluno da UnB.

Chegando aos cinemas de todo o Brasil em 13 de agosto, a obra apresenta depoimentos de importantes nomes que se mesclam com a atuação de Gagliasso como o militante preso em 1973, aos 26 anos. “Assim como eu tenho vontade de mudar o mundo, o Honestino também tinha. Eu acredito na democracia. Acredito na liberdade”, contou o ator, que destacou a importância de conhecermos nossa própria história. “Meu papel como ator é esse. É discutir. É trazer à tona o que de fato aconteceu no nosso país. Tentaram apagar a história desses meninos e não conseguiram. Porque mataram o corpo, mas não mataram o espírito. Tá todo mundo aqui falando sobre o Honestino Guimarães.”

Alinhado com Gagliasso, o cineasta Aurélio Michiles foi enfático ao comentar sobre a importância de produções como “Honestino” na preservação da memória. “Quando pensei em fazer um filme sobre o Honestino, quis fazer essa conexão entre o passado e o presente. Como se fosse uma coisa só e não uma nostalgia: ‘Ah, no meu tempo, naquele momento…’ Não. Ele tá presente. Ele está aqui, agora. O monstro está vivo. E nós precisamos combatê-lo. E esse combate é do cotidiano, sabe? É do cotidiano dos intelectuais, do operariado, dos camponeses, dos empresários, das artes, da cultura, dos atores… enfim, todos. É um combate coletivo para impedir que a barbárie se imponha novamente.”

Ressaltando o papel da arte na missão de combater o esquecimento, Gagliasso comentou sobre a importância de festivais como o Bonito CineSur. “Não há nada mais gratificante do que levar o filme a festivais, como o de Bonito, e ver as salas lotadas, com filas de pessoas aguardando para assisti-lo. É o momento que a gente se fala, respira cinema. E quando a gente fala sobre respirar e falar cinema, a gente tá falando sobre arte, cultura, sobre política, sobre tudo.”

Memória sul-americana

Antes da exibição de “Honestino”, o Bonito CineSur homenageou póstumamente o diretor argentino Luis Puenzo, que faleceu neste ano, aos 80, com o Troféu Pantanal In Memorian, com a exibição de sua aclamada obra “La História Oficial”, de 1985, na tarde de sábado (25). Representando Puenzo, subiu ao palco sua compatriota Cecília Diez, produtora e professora universitária com longa trajetória no audiovisual, que recebeu o prêmio das mãos do cineasta brasileiro Joel Pizzini. Assim como o filme de Michelis, o filme de Puenzo levanta uma discussão imprescindível para a América do Sul: a memória.

Vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional, o longa-metragem protagonizado por Norma Aleandro, Héctor Alterio e Chunchuna Villafañe acompanha Alicia, professora de História de classe média, que passa a suspeitar que sua filha adotiva seja filha de desaparecidos da ditadura argentina. Escrito por Puenzo com Aída Bortnik e lançado em abril de 1985, 19 dias antes do início do julgamento das juntas militares, o filme narra a apropriação de bebês pelo ponto de vista de quem apropriou sem saber. Daí a sua força: quem ensina a história oficial é justamente quem desconhece a própria.

Puenzo colocou a América Latina no mapa do Oscar e abriu as portas para Campanella, Szifron, Lelio e Walter Salles. A poética de Puenzo é a do confronto ético. Ele filmou a dor, a culpa e a responsabilidade de uma nação inteira para que as gerações futuras entendessem e não esquecessem. Por essa razão o Bonito CineSur 2026 reverencia Luis Puenzo.

Os próximos dias do CineSur

Realizado em Bonito, no Mato Grosso do Sul, o Bonito CineSur reúne até 1º de agosto produções de diferentes países da América do Sul em mostras competitivas, sessões especiais, oficinas e atividades formativas, com entrada gratuita. A partir deste domingo (26), entram em cena as três mostras competitivas, exibindo longas e curtas sul-americanos, filmes ambientais e produções sul-mato-grossenses, com sessões diárias no Auditório Kadiwéu a partir das 16h30.

O domingo traz ainda a Sessão Memória Bonito CineSur, às 15h, com “Aldeia de Nalike”, registro de 1936 do povo Kadiwéu filmado por Claude e Dina Lévi-Strauss, exibido em cópia muda com acompanhamento musical ao vivo. Às 14h30, a Sala Glauce Rocha abre o calendário de charlas com “Vozes Femininas Sul-Americanas”, que reúne a atriz chilena Paulina García, homenageada desta edição; sua compatriota Gabriela Sandoval, produtora e diretora de indústria do Festival Internacional de Cinema de Santiago (SANFIC); a produtora e professora argentina Cecília Diez; e as brasileiras Minom Pinho, produtora, roteirista e consultora de cinema; e Daniela Siqueira, doutora e professora da UFMS. Na terça (28), a charla “A Crítica no Cinema” reúne José Geraldo Couto e Rodrigo Fonseca sob mediação da argentina Cecília Diez, e o Auditório Terena recebe, às 18h30, a sessão especial de “Minha Terra Estrangeira”, com João Moreira Salles e Louise Botkay. O documentarista volta na quarta-feira (29) para a Aula Magna “O Problema do Documentário”.

Na quinta-feira (30), Vincent Carelli conduz a charla sobre os 40 anos do Vídeo nas Aldeias, projeto que idealizou, e na sexta-feira (31) apresenta “Martírio”, seu retrato da resistência Guarani Kaiowá. O mesmo dia traz Paulo Betti para a charla “Interpretação para Cinema e TV”. O encerramento, no sábado (1º), começa com a Mostra Comunidade e as sessões especiais de “Do Sul, a Vingança” e “Jackson: na Batida do Pandeiro”, e culmina às 20h na premiação do Troféu Pantanal, entregue a Carelli pelo conjunto da obra e aos vencedores das mostras, em cerimônia apresentada por Paulo Betti e Valentina Herszage.

A 4ª edição do evento conta com o patrocínio master do Banco do Brasil e da Petrobrás, além do patrocínio da Caixa Econômica Federal, da Emgea, do Sesc MS e da Fecomércio MS. O Festival tem o apoio da Prefeitura de Bonito, da Fundtur-MS e do Estado de Mato Grosso do Sul. O evento é uma realização da Associação Amigos do Cinema e da Cultura (AACIC), Lei Rouanet e Ministério da Cultura, por meio de emenda parlamentar do deputado federal Vander Loubet.

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