4º Bonito CineSur (2026)
Blog - 4º Bonito CineSur (2026)

Com patrocínio da Petrobras, Paulina García, Bruno Gagliasso, Reynaldo Gianecchini e grandes nomes brilham no Cinesur

A 4ª edição do Festival conta com programação recheada de homenagens e filmes de países da América do Sul

Data: 28/07/2026

Com patrocínio master da Petrobras, que se junta ao Banco do Brasil, o Bonito CineSur – Festival de Cinema Sul-Americano cumpriu o primeiro fim de semana de sua 4ª edição concentrado em memória, reconhecimento de trajetórias e início das mostras competitivas. Aberto na sexta-feira (24), o Festival homenageou a atriz chilena Paulina García e o cineasta argentino Luis Puenzo, e recebeu o ator Bruno Gagliasso e o diretor Aurélio Michiles. O evento conta também com o patrocínio da Caixa Econômica Federal, do Sesc MS, da Fecomércio MS e da Emgea.

Na cerimônia de abertura, Paulina recebeu o Troféu Pantanal e o Festival exibiu “Querido Trópico”, de Ana Endara. No sábado (25), a homenagem póstuma a Puenzo veio com a sessão especial de “La Historia Oficial”, seguida pela pré-estreia de “Honestino” com Gagliasso e Michiles. No domingo (26), entraram em cena as três mostras competitivas e a Sala Glauce Rocha abriu o calendário de charla cinematográfica com o tema “Vozes Femininas Sul-Americanas”, que reuniu a homenageada Paulina García, a produtora chilena Gabriela Sandoval, a argentina Cecília Diez e as brasileiras Minom Pinho e Daniela Siqueira.

O patrocínio de empresas como a Petrobras é o que torna possível um festival gratuito, formativo e descentralizado como o Bonito CineSur. Em um cenário de dificuldade crescente de financiamento e circulação para o cinema independente sul-americano, esse tipo de incentivo garante não apenas a exibição das obras, mas o encontro entre realizadores, a formação de novos profissionais e a permanência de uma cadeia audiovisual fora dos grandes centros.

Confira como foram os três primeiros dias do Festival:

Sexta-feira (24): abertura e homenagem

A 4ª edição do Bonito CineSur começou na noite de sexta-feira (24), no Auditório Kadiwéu, dentro do Centro de Convenções de Bonito. A cerimônia foi apresentada pelo ator Reynaldo Gianecchini e pela coordenadora geral do evento, Andrea Freire, que abriram a noite lembrando o produtor Luiz Carlos Barreto, falecido em 22 de julho, aos 98 anos, e retomando uma de suas frases mais citadas: “Um país que não produz o seu cinema é um país sem espelhos”. Na sequência, os apresentadores definiram o Festival como um território de encontro das cinematografias da América do Sul. “Assim como a cidade nos encanta com sua natureza rara e exuberante, o Festival possui a missão de provocar esse encantamento em nossas mentes”.

Diretor do Festival, Nilson Rodrigues defendeu a integração do continente por meio do audiovisual e resumiu a lógica que orienta o evento desde a primeira edição. “O Bonito CineSur foi pensado com essa perspectiva, a de reunir a produção sul-americana, garantir espaço de encontro entre os realizadores e produtores, dar relento à nossa cinematografia e dar importância às estrelas da nossa região”, afirmou. A abertura reuniu ainda autoridades estaduais e municipais, entre elas: Giovana Correa Ferreira, secretária-adjunta de Estado de Esporte e Cultura; Juliane Salvatore, vice-prefeita e secretária de Turismo de Bonito; Vítor Mello, diretor regional do Sesc MS, também representando a Fecomércio MS; Emanuelle Ribeiro, representando a Fundtur-MS; Leda Gonçalves de Freitas, da Associação Amigos do Cinema e da Cultura (AACIC); e Ido Michels, assessor parlamentar do deputado federal Vander Loubet.

A grande homenageada da noite foi a atriz chilena Paulina García, que recebeu o Troféu Pantanal pelo conjunto da obra. Dona de uma trajetória que atravessa teatro, direção, dramaturgia e cinema, García é reconhecida internacionalmente desde o Urso de Prata de Melhor Atriz recebido em Berlim, em 2013, por “Glória”, de Sebastián Lelio, ao qual se somam o Prêmio Platino de 2014 e o Kikito de Cristal de Gramado em 2022. Com o troféu em mãos, a atriz falou sobre a capacidade do cinema de unir povos sem apagar suas identidades. “O cinema é uma linguagem que faz disso que estou vivendo hoje aqui em Bonito um milagre. O milagre e a honra de receber um prêmio de trajetória, porque o cinema permite que meu trabalho, feito em outros países, em outras línguas, com gente de toda a América do Sul, seja reconhecido aqui no Brasil”. A noite foi encerrada com a exibição de “Querido Trópico”, de Ana Endara Mislov, coprodução entre Panamá e Colômbia protagonizada pela própria homenageada e escolhida para representar o Panamá na disputa do Oscar de Melhor Filme Internacional.

Sábado (25): Honestino e memória de Luis Puenzo

O 2º dia girou em torno da memória e do combate ao esquecimento. Às 17h de sábado (25), no Auditório Kadiwéu, o Bonito CineSur homenageou postumamente o cineasta argentino Luis Puenzo, que faleceu em abril deste ano, aos 80 anos, com o Troféu Pantanal In Memoriam. O prêmio foi entregue pelo cineasta Joel Pizzini, mediador da sessão, à produtora argentina Cecília Diez, curadora da Mostra Sul-Americana desta edição, que subiu ao palco em nome do diretor. Na sequência, foi exibida “La Historia Oficial” (1985), primeiro filme argentino a vencer o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Escrito por Puenzo com Aída Bortnik e lançado 19 dias antes do julgamento das juntas militares, o longa acompanha Alicia, professora de História que passa a suspeitar que sua filha adotiva seja filha de desaparecidos da ditadura. Daí a sua força: quem ensina a história oficial é justamente quem desconhece a própria.

À noite, o Centro de Convenções recebeu a pré-estreia de “Honestino”, dirigido por Aurélio Michiles, que compareceu à sessão ao lado do protagonista Bruno Gagliasso para apresentar o docfic ao público. Em cartaz nos cinemas de todo o Brasil a partir de 13 de agosto, a obra reconstrói o desaparecimento de Honestino Guimarães, líder estudantil, ex-presidente da UNE e aluno da UnB, preso em 1973, aos 26 anos, mesclando depoimentos de nomes centrais do período com a atuação de Gagliasso.

Domingo (26): voz das mulheres e mostras competitivas

O domingo abriu o calendário de charla cinmatográfica do Bonito CineSur Educa. Às 14h30, na Sala Glauce Rocha, “Vozes Femininas Sul-Americanas: Protagonismo e Resistência no Cinema” reuniu a homenageada Paulina García; a chilena Gabriela Sandoval, do SANFIC; a produtora argentina Cecília Diez; e as brasileiras Minom Pinho e Daniela Siqueira. A conversa girou em torno da distância entre a presença feminina na formação e a presença nos postos de decisão do audiovisual, um funil que se repete nos três países representados na mesa. As participantes trataram da escassez de personagens femininas complexas nos roteiros que circulam, dos orçamentos menores destinados a projetos dirigidos por mulheres e da diferença entre a alta participação delas em algumas áreas técnicas e a baixa presença na direção, no roteiro e na fotografia. O encontro passou ainda pelas estratégias construídas para furar esse bloqueio, dos coletivos e fundos de fomento à decisão de produzir os próprios projetos, e pelo argumento, contestado com números pelas próprias palestrantes, de que filmes dirigidos por mulheres teriam menos apelo comercial.

Meia hora depois, o Auditório Kadiwéu recebeu a Sessão Memória Bonito CineSur com “Aldeia de Nalike”, curta de 22 minutos filmado em 1936 por Claude e Dina Lévi-Strauss na região de Porto Murtinho, exibido em cópia muda com acompanhamento ao vivo dos músicos William Teixeira e Mariana Gonçalves.

A Mostra Sul-Mato-Grossense começou com “Higa Ke: Olho por Olho”, documentário de Conrado Roel e Débora Bah sobre um velho fotógrafo que está perdendo a memória. Entre imagens, relatos e esquecimentos, o filme se constrói como homenagem aos territórios distantes e às culturas descentralizadas, aquilo que resiste ao apagamento. Na sequência, a Mostra Ambiental abriu com o curta brasileiro “À Margem do Fim”, de Felipe Beltrame, que atravessa o luto e a luta por moradia digna para denunciar o avanço do agronegócio, a especulação imobiliária e a omissão do Estado diante da urgência climática. Completou a sessão o longa uruguaio “Água Invadida”, de Carolina Sosa, com a presença do produtor Damian Soto, no qual a própria cineasta embarca com uma equipe de biólogos marinhos em uma investigação sobre a exploração predatória dos recursos pesqueiros no Uruguai.

A Mostra Sul-Americana estreou às 20h30 com a presença dos dois realizadores, que subiram juntos ao palco para apresentar seus filmes antes das exibições. Abriu a sessão o curta brasileiro “A Vida de Jerônimo Dentro e Fora da Casca”, de Andrews Nascimento, ficção sobre um jovem da periferia que tenta emplacar o sonho de virar MC de funk enquanto enfrenta a descrença do pai. Fechou a noite “Naira”, longa peruano de estreia de Gabriela Quiroz, ambientado em um povoado andino, onde uma menina de 9 anos tenta salvar a mãe dos abusos e da miséria construindo um par de asas para virar condor e fugir em busca de outra vida.

A 4ª edição do Bonito CineSur está sendo realizada de 24 de julho a 1º de agosto na cidade de Bonito, Mato Grosso do Sul, e conta com o patrocínio master do Banco do Brasil e da Petrobrás e patrocínio da Caixa Econômica Federal, da Emgea, do Sesc MS e da Fecomércio MS. O Festival ainda conta com o apoio da Prefeitura de Bonito, da Fundtur-MS e do Estado de Mato Grosso do Sul. O evento é uma realização da Associação Amigos do Cinema e da Cultura (AACIC), Lei Rouanet e Ministério da Cultura, por meio de emenda parlamentar do deputado federal Vander Loubet.

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