

Valentina Herszage e Paulo Betti anunciam vencedores do 4º Bonito CineSur
Cerimônia de encerramento na noite deste sábado (1º) teve também homenagem ao trabalho do cineasta Vincent Carelli
Data: 02/08/2026

Os grandes vencedores da 4ª edição do Bonito CineSur – Festival de Cinema Sul-Americano de Bonito foram anunciados na noite deste sábado (1º). A atriz Valentina Herszage e o ator Paulo Betti subiram ao palco do Auditório Kadiwéu, no Centro de Convenções de Bonito, para conduzir a cerimônia que premiou os curtas e longas-metragens escolhidos pelos jurados e pelo público nas mostras Sul-Matogrossense, Ambiental e Sul-Americana, finalizando o Festival que, desde a abertura em 24 de julho, celebrou o cinema da América do Sul e recebeu 46 filmes de 10 diferentes países do continente.
Do palco, os apresentadores resumiram o espírito do Festival. “O cinema é a janela para o mundo. Nos dá asas para voarmos no horizonte e além”, afirmou Valentina, enquanto Betti completou: “O cinema nos reuniu aqui, no coração do Pantanal, e nos presenteou com histórias que atravessaram fronteiras, línguas e culturas, trazendo à tona a potência e a diversidade da nossa América do Sul.”
Outro destaque da noite foi a entrega do Troféu Pantanal ao cineasta e indigenista franco-brasileiro Vincent Carelli, em reconhecimento pelo conjunto de sua obra cinematográfica. O cineasta, que fez do cinema uma ferramenta de luta, fundou, em 1986, o projeto Vídeo nas Aldeias (VNA) e entregou as primeiras câmeras VHS nas mãos dos Waiãpi, no Amapá. Pela primeira vez, indígenas assumiam o controle da própria imagem e deixavam de ser apenas objeto do olhar do outro. Nascia ali o primeiro cinema indígena das Américas. Vídeo nas Aldeias é uma escola, um arquivo vivo, uma trincheira política. A poética de Carelli é a da escuta para devolver a palavra e a imagem aos povos originários. Seu trabalho atravessa o cinema, a antropologia e a luta por direitos.
A premiação especial entregue a Vincent se soma à concedida à atriz chilena Paulina García, grande homenageada desta edição, que recebeu o Troféu Pantanal na noite de abertura do Festival, em 24 de julho.
“Estou muito feliz. Este festival é feito com muito amor, capricho e uma missão rara, a de conhecer mais de perto e conectar o cinema sul-americano. Escolhemos para exibir ontem um filme chamado ‘Martírio’, sobre o genocídio do povo Guarani Kaiowá. Estou aqui portando esse xale palestino em solidariedade ao povo palestino. Costumo dizer que a região dos Guarani Kaiowá é a nossa Faixa de Gaza. Lamentavelmente, é um genocidcio que não para há 40 anos e parece que a humanidade ruma à barbárie. Agradeço a todos e vamos em frente.”
Durante 9 dias, Bonito transformou-se em um grande cenário do audiovisual sul-americano, refletindo sobre integração, conexão, colaboração, pertencimento, tendo o cinema sul-americano como seu principal palco. Mais de 150 convidados entre artistas, cineastas, produtores, roteiristas e profissionais do audiovisual estiveram na cidade para participar de diversas ações desenvolvidas pelo Festival. A cerimônia contou com a entrega do Troféu Pantanal e prêmios no total de R$ 57.500,00 aos vencedores das 5 mostras competitivas; foram 32 obras concorrendo aos prêmios do júri oficial e do voto popular.
O júri da Mostra Sul-Americana foi composto por Celso Franco, Dandara Ferreira e Gabriela Sandoval. Minom Pinho, Olinda Tupinambá e Vincent Carelli integraram o júri da Mostra Ambiental. Já o júri da Mostra Sul-Mato-Grossense foi formado por Daniela Siqueira, Luiz Carlos Lacerda (Bigode) e Solange Bouffay.
Os vencedores foram anunciados por Andrea Freire, coordenadora do Festival; Gustavo Castelo (Cegonha), coordenador do Festival; Lelo Marchi, diretor de Cultura de Bonito; Carol Urt, representante do Sesc MS e Fecomercio MS; o prefeito de Bonito, Josmail Rodrigues; o diretor da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, Bruno Wendling; Giselda Diniz, assessora parlamentar do deputado federal Vander Loubet; Dandara Ferreira, jurada da Mostra Sul-Americana; Ana Luiza Fraga, diretora do Departamento de Patrocínios da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República; e Nilson Rodrigues, diretor do Festival.
Confira os vencedores do voto popular:
Melhor Longa-Metragem Sul-Americano
“NAIRA”, de Gabriela Quiroz (Peru)
Melhor Curta-Metragem Sul-Americano
“A VIDA DE JERÔNIMO DENTRO E FORA DA CASCA”, de Andrews Nascimento (Brasil)
Melhor Longa-Metragem Ambiental
“PÁRAMOS II – EL ORIGEN”, de Alejandro Calderón (Colômbia)
Melhor Curta-Metragem Ambiental
“BUEN VIVIR – ÑUTSE CANSEYE”, de Zoé Nathalie Kugler (Equador)
Melhor Filme Sul Matogrossense
“HIGA KE – OLHO POR OLHO”, de Conrado Roel e Debora Bah (Brasi)
Confira os vencedores do júri oficial:
Melhor Longa-Metragem Sul-Americano
“¿QUIEN MATÓ A NARCISO?”, de Marcelo Martinessi (Paraguai)
Melhor Curta-Metragem Sul-Americano
“SUKUA”, de Omar E. Ospina (Colômbia)
Melhor Longa-Metragem Ambiental
“PÁRAMOS II – EL ORIGEN”, de Alejandro Calderón (Colômbia)
Melhor Curta-Metragem Ambiental
“HIPOPÓTAMOS, EL ARCA DE ESCOBAR”, de Alejandro Calderón (Colômbia)
Melhor Filme Sul-Mato-Grossense
“NATASHA”, de Ana Ostapenko, Willerson Amorim, Thiago Rotta e Rafael Rotta (Brasil)
Menções honrosas:
Ao filme sul-mato-grossense “QUATRO LUAS PANTANEIRAS”, de Ana Carla Loureiro (Brasil)
Ao longa sul-americano “NAIRA”, de Gabriela Quiroz (Peru), pela atuação da jovem protagonista e de seu parceiro
Ao receber o prêmio de Melhor Longa-Metragem Sul-Americano do júri oficial, o ator Diro Romero, protagonista de “¿Quién Mató a Narciso?”, celebrou o acolhimento recebido em Bonito e agradeceu pelo espaço aberto a todos os filmes da mostra. “Realmente, levo uma experiência incrível deste festival. Agradeço por este espaço não apenas para ‘Quién Mató a Narciso’, mas para cada um dos filmes que foram apresentados nesta categoria, pois realmente cada um tem uma potência muito forte”, afirmou o ator paraguaio, que encerrou seu discurso celebrando a democracia dos países da América do Sul: “Pela liberdade, pela democracia, ditadura nunca mais.”
Diretor geral do Bonito CineSur, Nilson Rodrigues agradeceu à equipe de produção, aos patrocinadores e ao poder público de Bonito e reafirmou o papel de integração e união entre os países que o Festival tem. “O Festival é um espaço onde a gente pode ver os filmes, pode celebrar, pode trocar ideias, pode criar conexões, mas ele não resolve as coisas. Nós queremos mais coproduções, nós queremos codireção. Para isso, é preciso que as instituições se envolvam. No ano que vem, nós queremos trazer aqui para o Festival os ministérios da Cultura desses países e suas organizações para criar programas bilaterais ou multilaterais para que a gente possa se conhecer mais e para que a gente possa ter o direito de se ver nas telas de cinema.”
A 4ª edição do Bonito CineSur está sendo realizada de 24 de julho a 1º de agosto na cidade de Bonito, Mato Grosso do Sul, e conta com o patrocínio master do Banco do Brasil e da Petrobrás e patrocínio da Caixa Econômica Federal, da Emgea, do Sesc MS e da Fecomércio MS. O Festival ainda conta com o apoio da Prefeitura de Bonito, da Fundtur-MS e do Estado de Mato Grosso do Sul. O evento é uma realização da Associação Amigos do Cinema e da Cultura (AACIC), Lei Rouanet e Ministério da Cultura, por meio de emenda parlamentar do deputado federal Vander Loubet.
A Ciclo Azul Meio Ambiente e Sustentabilidade foi a empresa responsável pela gestão de resíduos e pela compensação das emissões de carbono geradas durante o Festival. A parceria reforça o compromisso do evento com a preservação ambiental e com a adoção de práticas que contribuem para a redução de seus impactos, em sintonia com a vocação ecológica de Bonito e com os valores que orientam o Bonito CineSur.









